terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O limite entre o paganismo e o religioso

No ano de 2013, a decisão do então recém-empossado prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Júnior (PTC), de não promover o carnaval de passarela trouxe à tona a discussão sobre até onde a religião pode caminhar junta a cultura. O prefeito e todo seu secretariado - e mais um punhado de gente - justificaram a medida com o remanejamento de verbas que seriam destinadas à festa popular do Brasil na capital para serem aplicadas na saúde - tendo em vista o caos instalado nos Socorrões Um e Dois.

Justificativa dada, aceita por uns, ignorada por outros e protestada por alguns, a não realização do carnaval de passarela só levantou uma questão que todos ficaram esperando o que daria em 2014. Neste ano, o executivo municipal, através da Fundação Municipal de Cultura, garantiu os desfiles no Anel Viário. Tanto que a passarela está quase concluída. A ação derruba por terra a tese ainda existente de intolerância religiosa - mesmo que esta tenha existido, a pressão popular e midiática reverteu o quadro.

O que vimos e supomos aqui, se espalhou e chegou a ser levantado em cidades do interior do Maranhão. Dois municípios, reconhecidos como donos de alguns dos melhores carnavais fora da capital do estado, poderiam (ou podem) ficar sem a folia patrocinada pelo executivo local. A informação que chegou por moradores e nativos de Itapecuru Mirim e Cururupu é que os dois prefeitos (que seriam protestantes) não teriam autorizado a realização da festa.

Em visita a sites e blogs de notícias das duas cidades, vimos que a informação não teria veracidade, visto que todos divulgam que a festa está sendo preparada pelas respectivas secretarias de cultura, inclusive, com programação pronta.

Se acontecerem ou não, deve ficar a reflexão de que forma o gestor, sendo ele católico, protestante, islâmico ou praticante de religião de matriz africana, está governando. Pessoalidades não podem interferir na vivência e na tradição popular de um povo. Se, um dia, o carnaval vier a ser um evento descartável dentro de uma cidade, estado ou país, isso vai acontecer naturalmente, pela vontade popular. Impor não é a melhor saída.

Que as informações vindas das duas cidades não passem de meros boatos.

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