Enxugar o gelo. É o que os agentes da Polícia Federal em todo o Brasil estão fazendo hoje. Literalmente. Depois de fazerem uma manifestação com mulas em frente às unidades da PF (na terça-feira, 25), eles agora estão demonstrando toda sua indignação pelo “congelamento” dos salários.
Os policiais reclamam de uma espécie de boicote do Governo Dilma à Polícia Federal, e dizem estar sendo punidos pelas operações anticorrupção que fizeram e atingiram líderes políticos ligados ao atual governo. Hoje, o ministro da Justiça precisa ser avisado com antecedência sobre as investigações que atingem políticos, ocorreu uma queda absurda nos investimentos do órgão, e o mesmo ministro tem militarizado a segurança pública brasileira, enquanto competências da PF são entregues à Força Nacional e ao Exército.
Na década passada, grandes organizações criminosas eram desmanteladas. Mas nos últimos anos, com o sucateamento do órgão, a maioria dos presos são “mulas”, uma gíria para pequenos traficantes. E, infelizmente, o Ministério da Justiça tem se empenhado para disfarçar o abandono da instituição.
Os agentes federais amargam um congelamento salarial que completa sete anos – o maior em todas as carreiras federais. Durante a última década, o salário desses policiais federais foi reduzido à metade das demais carreiras federais, como Receita Federal, ABIN e Agências. Como conseqüência, a cada ano, mais de 250 agentes federais abandonam a PF. São servidores capacitados e experientes, com as mais diversas formações acadêmicas exigidas para o cargo. Metade se aposenta precocemente, assim que completa as condições, e a outra metade migra para outras carreiras públicas prestigiadas pelo Governo, com o dobro de salário e sem o risco de vida inerente à função policial.
O movimento dos policiais foi denominado “O Apagão da Polícia Federal”. A federação nacional e seus 27 sindicatos possuem 13.300 policiais federais filiados.
Serviços essenciais estão sendo mantidos, pois o objetivo é conscientizar a população e não prejudicá-la. E com criatividade, o objetivo é chamar a atenção da Sociedade para o sucateamento da PF, visível na mudança do perfil de atuação da instituição, e agora comprovada com dados estatísticos produzidos pelo próprio órgão.


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