Já tem quase uma semana que a greve dos policiais militares
do Maranhão acabou. Foram nove dias parados e alguns prejuízos – fora os
momentos de tensão provocados pela possível retaliação do governo e do alto
comando da corporação.
Mas o que ficou claro a respeito do fato? Para não entrar em
muitos detalhes – pois existem muitas questões por trás do movimento – é bom
analisar o contexto formado para que os policiais voltassem ao trabalho.
Durante sete dias, ninguém do governo se manifestou, ninguém
procurou o diálogo, ninguém quis conversar. Se esperava que, ao menos, o alto
comando fizesse isso, tentando resolver a questão em casa, “entre irmãos”. Mas não
aconteceu. O governo se fez de desentendido e nunca mandou nenhum recado. A única
informação que chegava aos grevistas era para que eles retornassem ao trabalho,
a fim de evitar severas punições. Nada mais.
Durante este tempo, a Assembléia Legislativa também não se
envolveu. Nenhum esteve acompanhando de perto a situação; nenhum subiu a
tribuna para cobrar de forma veemente uma resolução ao impasse; nenhum declarou
guerra ou apoio total e irrestrito aos grevistas. Houveram, sim, algumas
ligações telefônicas. Apenas para saber como estava. Situação e oposição
taparam olhos, ouvidos e boca.
Nos dois últimos dias da paralisação, surgiu uma figura
conhecida no campo da segurança pública e que, até hoje, impõe respeito perante
toda a classe policial. O senador João Alberto (PMDB) chamou os grevistas para
uma conversa informal. A primeira não teve; a segunda não deu em nada; a
terceira foi positiva. Com todo jogo de cintura e a experiência de quem já foi
governador de estado e secretário de segurança, João Alberto firmou trato com
os grevistas, em nome do governo.
E não adianta ninguém dizer que “foi o novo secretário
assumir para a greve acabar”; não adianta o ex-secretário se vangloriar do que
teria feito; nem mesmo a presença de um deputado governista na reunião com o
senador João Alberto fez diferença. Queiram ou não, deve-se aceitar que a greve
só findou pela experiência e intromissão certeira do senador.
Se vão cumprir aquilo que ele acertou com os grevistas, isso
é outro assunto. O certo é que João Alberto confirmou o seu tato apurado com os
homens de farda.
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