quarta-feira, 9 de abril de 2014

Sobre o fim da greve dos PM's

Já tem quase uma semana que a greve dos policiais militares do Maranhão acabou. Foram nove dias parados e alguns prejuízos – fora os momentos de tensão provocados pela possível retaliação do governo e do alto comando da corporação.
Mas o que ficou claro a respeito do fato? Para não entrar em muitos detalhes – pois existem muitas questões por trás do movimento – é bom analisar o contexto formado para que os policiais voltassem ao trabalho.
Durante sete dias, ninguém do governo se manifestou, ninguém procurou o diálogo, ninguém quis conversar. Se esperava que, ao menos, o alto comando fizesse isso, tentando resolver a questão em casa, “entre irmãos”. Mas não aconteceu. O governo se fez de desentendido e nunca mandou nenhum recado. A única informação que chegava aos grevistas era para que eles retornassem ao trabalho, a fim de evitar severas punições. Nada mais.
Durante este tempo, a Assembléia Legislativa também não se envolveu. Nenhum esteve acompanhando de perto a situação; nenhum subiu a tribuna para cobrar de forma veemente uma resolução ao impasse; nenhum declarou guerra ou apoio total e irrestrito aos grevistas. Houveram, sim, algumas ligações telefônicas. Apenas para saber como estava. Situação e oposição taparam olhos, ouvidos e boca.
Nos dois últimos dias da paralisação, surgiu uma figura conhecida no campo da segurança pública e que, até hoje, impõe respeito perante toda a classe policial. O senador João Alberto (PMDB) chamou os grevistas para uma conversa informal. A primeira não teve; a segunda não deu em nada; a terceira foi positiva. Com todo jogo de cintura e a experiência de quem já foi governador de estado e secretário de segurança, João Alberto firmou trato com os grevistas, em nome do governo.
E não adianta ninguém dizer que “foi o novo secretário assumir para a greve acabar”; não adianta o ex-secretário se vangloriar do que teria feito; nem mesmo a presença de um deputado governista na reunião com o senador João Alberto fez diferença. Queiram ou não, deve-se aceitar que a greve só findou pela experiência e intromissão certeira do senador.
Se vão cumprir aquilo que ele acertou com os grevistas, isso é outro assunto. O certo é que João Alberto confirmou o seu tato apurado com os homens de farda.

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