Embora
tenha arriscado no jornalismo em primeiro momento, foi no humor que
Rafinha Bastos encontrou alavanca para sua carreira. Foi seguindo este
caminho que ele figurou na lista das pessoas mais influentes do mundo e,
atualmente, acumula mais de oito milhões de seguidores, se somadas as
redes sociais Twitter e Facebook. O fato não é surpreendente.
Apresentador da nova temporada do 'Agora é Tarde', ele explica: há mais
campo de trabalho no humor do que no jornalismo. "Humorista talentoso
tem espaço. Jornalista precisa muito mais do que talento para conseguir
ter oportunidade".
Nesta semana, Rafinha Bastos falou sobre
o programa que vai comandar na Band, com estreia no próximo dia 5, e
conversou com o Comunique-se sobre seu trabalho no jornalismo, mercado,
valorização da área e novas oportunidades para quem está na comunicação.
Veja, abaixo, a íntegra do bate-papo
No comando de um programa de entretenimento, você pensou que poderia ter apostado em algum jornalístico ou voltar para 'A Liga'?
'A
Liga' era um resumo do que eu queria fazer no jornalismo, era uma
vontade de muito tempo de conseguir fazer algo que se envolvesse mesmo
com as pautas, sem o distanciamento que naturalmente aprendemos na
faculdade. Aprendemos a ser imparciais, que é algo que, aliás, não
existe! Os veículos de comunicação, na tentativa de imparcialidade,
acabam dando suas posições e tudo acaba sendo manipulado, o público
mesmo acaba não entendendo. Mas com 'A Liga', acho que automaticamente
abraçamos a proposta e mostramos o que é errado e certo. Registramos o
lado e a opinião das pessoas. Evolui fazendo o programa como ser humano e
jornalista. Tive oportunidade de ser eu mesmo, sentindo frio e calor. É
bastante puxado o trabalho, mas tenho muito orgulho do que fiz. Tenho
vontade de fazer outras coisas no jornalismo, mas não é o meu momento
agora. 'A Liga' conseguiu matar a vontade que eu tinha de poder contar
essas histórias.
Como você avalia o trabalho da imprensa?
Sou
muito menino para isso. Tem muita gente boa fazendo jornalismo. Mas,
independentemente de analisar, porque temos excelentes veículos de
comunicação e seria petulância da minha parte querer diminuir gente que
faz isso há tanto tempo, gostaria de ver opções em que os jornalistas se
envolvam mais diretamente com as histórias que eles estão contando.
Porque existe distanciamento e a reportagem fica fria. É preciso olhar a
situação e falar 'eu posso ajudar'. Não quero simplesmente mostrar a
desgraça, quero cavar junto com essa pessoa. Por que o jornalista vai
ficar do lado de lá falando que os bombeiros estão trabalhando se ele
pode ajudar? Isso quebra muitas paredes que existem entre o jornalismo e
a pauta. Acho que o outro jornalismo cumpre bem o papel, mas queria ver
iniciativas assim também.
Por
enquanto, sim. Gostaria de fazer muitas outras coisas no jornalismo,
mas por enquanto estou feliz. A vontade de fazer 'A Liga' surgiu quando
eu fazia comédia. Eu quis fazer antes do modelo chegar ao Brasil. Eu já
conhecia o formato e falei para a Band que quando o programa viesse eu
gostaria de apresentar. E quando começaram a pensar em trazer, eu já
estava no elenco.
Existe mais campo de trabalho no humor ou no jornalismo?
Hoje, muito mais no humor. Essa nova geração apresenta gente e tendências novas todos os dias. Quando o stand up
estava bombando, chegou o pessoal do improviso, depois vieram os
palhaços e o cartoon voltou. Humorista talentoso tem mercado. Jornalista
precisa muito mais que talento para conseguir ter oportunidade. O
mercado está fechando. Essa modificação que chegou com a tecnologia vem
atropelando tudo. Todo mundo é jornalista, faz coberturas e vídeos.
Existe processo de adaptação do jornalismo com essa nova realidade, que
ainda é algo muito novo. Como você usa o Twitter? O quão rápido você
divulga uma notícia sem checar fonte? Já vi tantas coisas! Já plantei
tantas coisas e tirei sarro depois. O jornalismo de notícias não sofre
tanto, mas o de celebridades muitas vezes sim.
O jornalista é mal remunerado?
Eu
ganhava muito mal. No início da minha carreira jornalística, ganhava
mal. Mas, estava trabalhando em frente ao computador e no ar
condicionado. O 'ganhar muito mal' é relativo. Nunca fiz jornalismo e
nada na vida pensando em dinheiro. Não voltei para a Band por causa de
dinheiro. Ganho a mesma coisa que ganhava quando sai. A questão
financeira nunca foi o ponto principal. Talvez eu seja um dos únicos
apresentadores da área de entretenimento que não tem agente. Não chego
com ninguém para negociar aqui. Eu chego! Ninguém sabe quanto vale o meu
trabalho melhor do que eu.
Como o jornalista pode driblar as mudanças no mercado de trabalho?
Existem
alternativas. Com esse "boom" da tecnologia, existem formas do
jornalista ganhar dinheiro montando seu próprio projeto, contando as
histórias de maneira diferente e cativando as pessoas. Se você é
funcionário de um veículo antigo, que hoje está lutando entre papel e
tela, e cortando muitos custos, precisa mudar. A tecnologia está
atropelando todo mundo. Se você for uma pessoa informada, inteligente e
consciente você consegue fazer jornalismo. O mercado vai afunilando e
ficando cada vez menor. Está na hora do jornalista abrir a cabeça e
buscar oportunidade nesse mundo tecnológico.
fonte: Portal Comunique-se
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